Seria mais fácil fazer como todo mundo faz.

15/02/2009

Por Lucas

Como seria se fosse fácil?

Se você conseguisse fazer tudo que pensasse? Será que ainda haveria prazer no que se pensava em fazer? Se você tivesse atingido todos os seus objetivos?

Como em um conto de fadas, “eu desejo…” e, pronto, estivesse ali na sua frente. Ah, uma viagem em um cruzeiro, ir à Disney, chegar à Inglaterra e ver o Big Bang, uma mansão, conseguir manter tudo com facilidade, sem precisar trabalhar muito. Depois, uma casinha perto do mar, alguém perfeito pra se viver do lado, e pronto. Tudo acabado. Você alcansou tudo que queria.

Aquele sentimento de derrota, depois de uma prova frustrada, depois de não obter a vitória no vestibular, parece ser mais útil que o doce sabor da vitória, que passa rápido e fica no tempo.

As derrotas valem mais, para a transformação do homem. As vitórias são fruto de muita derrota. Quando se vence, fica aquele vazio, um sentimento de ” e agora?”. Quando se perde, fica a vontade de vencer, aquela que os gênios tiveram depois de muita falha.

E se Timothy John Berners-Lee ( criador da web ) tivesse desistido?

E se o maior criador de todos tivesse desistido?

Eu vivo, ele não desistiu.

Anúncios

Crônica noturna

06/02/2009

Por Marcos

O Nóia queria que a turma ficasse unida. Ficava dizendo a cada dez minutos: “ninguém se separa”. Eu só estava interessado em sair de perto deles. Todos estavam bêbados e eu não tinha interesse em cuidar de bêbado algum, além de mim.

Consegui fugir com o pretexto de que ia ao banheiro. Ao invés disso, fui direto a uma barraca que vendia bebidas. Uma batida me chamou a atenção: Capetão. Vodca, vinho, cachaça, rum, pó de guaraná e açúcar. Tudo misturado. Pedi um.

Foi quando me arrependi de ter abandonado o “trem da alegria”, não tinha mais cigarros. Olhei para os lados atrás de algum fumante. Tinha uma senhora ao meu lado, com seus 50 anos ou mais. Pedi com educação:

– Tem um cigarro pra mim?

– Se for pra matar eu tenho!

– É um desse mesmo. Obrigado.

“Agora sim”, penso, “capeta e morte”.

Vou andando sem direção. Atrás de alguma baixaria, talvez. Uma briga de casal seria interessante. Vejo apenas prostitutas. E um “flanelinha”, que parece estar querendo falar alguma coisa pra mim. Dirigi-me a ele.

– Ta afim de um “braite” – ele falou, olhando para outro lado.

– Pode ser – respondo olhando para outro.

Quanto é?

– Vinte paus a grama.

– Muito caro. Tem outra coisa mais barata não?

– Garrafada do norte.

– Essa serve.

– Chega mais pra cá.

Ele foi pra baixo de uma arvore. É um lugar escuro, dá pra disfarçar uma venda ilegal.

– São cinco contos.

– Pega. Agora me passa.

O bom do Dragão do Mar é que ninguém se importa com o que você faz. Escuto só alguém dizer que aquilo é o pau do cão. Faço dois cigarros mesmo assim.

O Nóia reapareceu. Mandei tudo pra cuca.

– Hei cara, podes me levar pra casa? – eu perguntei.

– Ta mal hein?

– A noite foi infernal. Me ajuda aqui.

É bom ter amigos nessas horas.


Noites Em Claro

03/02/2009

Por Carlos Eduardo

Hoje vencerei a insônia, apesar de ter acordado uma hora da tarde. Hoje é domingo, e como de costume fico sonolento o dia todo. Procuro acelerar o tempo em frente ao computador, e quando me dou por conta já está quase anoitecendo, e a ansiedade vem junto com a escuridão. Mais algumas horas se passam, preparo meu jantar às 21:00 horas, planejo dormir às 23:00 pelo menos.

Deito-me, e como num passe de mágica toda aquela sonolência vai embora. Já se passam de meia noite, e a insônia parece me vencer mais uma vez. Ligo a tv a procura de algum filme legal. Esses filmes sempre me salvam do tédio da madrugada, como na noite passada em que tive a felicidade de ver Highlander mais uma vez. Bom, hoje parece não ser meu dia de sorte, a emissora está fora do ar, isso aumenta ainda mais a minha ansiedade. Apago todas as luzes da casa, a escuridão toma conta de minha vista.

Agora só o som do rádio é perceptível aos meus sentidos. Tento me concentrar no que o cantor tem a me dizer, mas minha mente parece não está ouvindo nada daquilo, está ocupada com preocupações medíocres que cercam minha vida. É nesse momento que penso em escrever algo sobre minha noite, mas o meu corpo parece não me obedecer mais, e continuo ali mesmo como um doente a espera de um milagre.

Esforço-me mais ainda para entender as palavras que chegam até meus ouvidos. Ouço alguma coisa como “aprendi a dar mais valor ao meu dia, nessas noites de desespero”, aquelas palavras fazem todo o sentido naquele momento. Acaba o cd, e o silêncio toma conta de tudo novamente. Agora aquela sonolência começa a reaparecer. Já está próximo às 4:00 horas da madrugada. ” Perdi de novo” penso comigo mesmo.

Consigo ter umas quatro horas de sono. Me levanto já com a luz do sol tomando conta do meu quarto, e penso se não seria melhor dormir eternamente em uma cova quente e confortável ao som de ossos humanos.

“Existe um abismo entre aqueles que conseguem dormir e os que não o conseguem. É uma das grandes divisões da raça humana.”


Mais uma noite

01/02/2009

Por Sapo

Algumas palavras soam doces. Quando expresso o que eu quero, por exemplo. O que eu disse não foi totalmente em vão. Apesar de quem eu criticava (evito citar nomes) não está por perto. Pude chegar em algumas conclusões que não conseguiria só.

As pessoas bancam o que não são. Pensam ser algo e agem assim. Algumas tentam ser alguma coisa na vida e isso eu não critico. Critico os meios que elas usam para atingir seus objetivos. Vender meu corpo é uma coisa que eu não faria por dinheiro nenhum. Eu nasci pobre e não tenho vergonha, apesar de não querer ser pobre pelo resto da vida. Afinal, somos todos capitalistas, e se alguém diz que não se importa com dinheiro está mentindo.

Tem quem me ache cafona pelo que digo. Escutei agora a pouco que o amor morreu. Aquela menina realmente não acreditava nisso: “amor é quantos centímetros ele tem”. Eu já esperava que ela dissesse algo tão baixo, mas não com tanta categoria. Acho que ela não faz amor, faz metros.


Beije-me

30/01/2009

Por Marcos

– Acho que você vai morrer pelo fígado…

– E você vai morrer por causa da boca.

– O que você está insinuando?

– Que você é um saco!

– Sabe por que eu te chamei aqui?

– Pelo mesmo motivo que eu to te aturando.

– Como você reclama!

– Como você é chata!

– Por que você não me trata bem? Não me faz uma poesia?

– Poesia não é pro seu bico.

– Nem flores me trouxe, seu sacana.

– Que diferença vai fazer?

– Custa me agradar?

– Custa calar a boca?

– Seu filho da puta!

– Por que você não usa sua boca pra fazer outra coisa?

Faz-se um silêncio quase absoluto. Quebrado apenas pelo barulho dos beijos.


Apenas uma formiga.

27/01/2009

Por Lucas

Em minha perna, vejo uma pequena formiga tentando subir. É clara a dificudade que ela tem em praticar esse ato.

A dificudade é bem maior quando se é pequenininho. Não apenas para essa formiga, ou um inseto. Para todos, para aqueles que desistem de seus sonhos. Que aceitam a vida que levam, mesmo sendo quase impossível viver ela. Para todos os outros que desistem de algum objetivo por acreditarem que não irão  alcançar nunca. Para quem, antes mesmo do fim da guerra, entrega a batalha e se mata.

Ah, mas era apenas uma formiga. Com o homem  é diferente, ele pensa, ele raciocina. Ele não iria fazer algo sem objetivo, assim como era a subida da formiga.

As formigas são inúteis. Não pensam e, nem mesmo, teriam um motivo para está subindo na minha perna. Elas não são significantes.Elas não desenvolvem novas vacinas, não criam naves espaciais, não exploram o espaço, não criam armas, não fazem guerras, não arriscam a vida do Planeta. São simples formigas.

Mas será que que a evolução é, sempre, boa? O homem evoluiu, não foi mesmo? As formigas bem mais espertas, não destroem, arriscam suas vidas com objetivos bem mais plausíveis.

São apenas formigas, eu matei ela (não tenho certeza disso). Não tem valor, tem? Não pensei duas vezes em acertar a mão nela e derrubar a mesma de minha perna. Quem pensa duas vezes antes de matar uma formiga? Não vão ao céu, muito menos ao inferno. O homem pensa, raciocina. Encontrou o céu e o inferno. Já as formigas, não.


Sobre…

21/01/2009

Por Lucas

O que irá agradar?

Que eu escreva sobre a morte?

Ou sobre a vida?

Sobre política?

Ou sobre futebol?

Sobre doenças epidêmicas?

Ou sobre a medicina?

Sobre grandes desabamentos?

Ou sobre as melhores praias?

Sobre guerra de tomates?

Ou sobre a fome na África?

Sobre a paz que Deus nos pediu?

Ou sobre as guerras santas?

Sobre o amor?

Ou sobre o ódio?

Sobre as mais belas cidades?

Ou sobre as favelas?

Sobre o mais complexo?

Ou sobre o mais simples?

Sobre a ciência?

Ou sobre a religião?

Ou talvez uma folha em branco seria a resposta para todas essas perguntas. Um tempo para que possa refletir. O silêncio… Silêncio.