Páginas em branco

11/01/2009

Para Ferreira Gullar

Ligo a TV.

Sorvo os canais.

Na estante os livros vomitam suas letras como uma cachoeira.

Pego um.

Na capa não tem nada escrito.

Suas páginas estão em branco.

Aliás, nem só elas…

Enquanto isso,

A poltrona da sala devora-me educadamente.

Escrito por Luiz Severiano, um grande amigo.


Indicações

11/01/2009

Primeiramente queriamos agradecer a indicação, é muito bom saber que alguém admira o que agente escreve.

Merme

Indicações recebidas por Fotos do dia e Blog do Dan.

Algumas regras para quem foi indicado:

Linkar a pessoa que te indicou.

-Escrever as regras do meme em seu blog.

-Contar 6 coisas aleatórias sobre você.

-Indique mais 6 pessoas e coloque os links no final do post.

-Deixe a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela.

-Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.

6 Coisas sbre mim:

1. Odeio hipocrisia

2. Pretendo viajar pelo mundo algum dia

3. Viva ao rock
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A Corda

09/01/2009

Por Felipe

O primeiro tempo do jogo acaba. Corro pra cozinha. Pego mais duas cervejas. Volto pra sala e me jogo no sofá.

– Danilo! – alguém me chama, do lado de fora da minha casa.

Levanto-me. Já tenho idéia de quem seja.

– Sou eu, o Rafael.

Era exatamente quem eu suspeitava. Lembro-me que Rafael está me devendo um dinheiro, mas não sei quanto. Tinha emprestado mais de duzentos reais, só lembro disso. Fazia um bom tempo.

– Oi, Rafael. Entre.

Quando ele chega mais perto, noto que o seu pescoço está todo marcado. São marcas de corda, como se alguém (ou ele mesmo) tivesse tentado o enforcar. Foi a primeira vez que vi tal coisa.

– O que te aconteceu? – pergunto.

– O que? Ah, sim. As marcas.

– Isso mesmo. Não é o que estou pensando, certo?

– E eu sei lá o que você está pensando Danilo! Olha só, vim aqui devolver aquele dinheiro. Pegue.

Ele me entrega algumas notas de cinqüenta. Ponho na carteira sem contá-las.

– E então, vai me contar o que houve com o seu pescoço?

– Tudo bem, mas não comente nada com ninguém, certo?

– Certo.

– A Andréa tentou me enforcar.

Penso se não é uma brincadeira dele. Mas fazer aquilo consigo mesmo não é do feitio de Rafael. Andréa é uma mulher muito grande. Deve pesar uns cem quilos. E Rafael é um homem pequeno. Ela podia ter feito isso com facilidade.

– Nossa! Por que ela fez isso contigo?

– Cheguei bêbado em casa anteontem. Sabe como é, eu fico um pouco irritado quando “tomo umas”, meu patrão tinha gritado comigo. Disse-a que ela andava muito folgada pro “meu gosto”. Chamei-a de umas coisas. E quando eu vi, ela meu deu um soco no rosto. Cai no chão e ameacei-a de morte. Levantei-me e dei uma tapa no rosto dela.

– Nossa. E ela?

– Ficou toda vermelha. Foi na cozinha. Continuei praguejando. Ela voltou com uma corda e começou a me enforcar. Me pegou desprevenido. Tentei me soltar, mas não dava: a mulher é muito forte!

– E então ela te soltou? Certo?

– Quem dera ela fosse mais fácil. Tive que pedir perdão, disse que a amava. Que não sabia o que tava fazendo. Só não chorei.

– Nossa. Que noite, hein?

– É. Tenho que ir. Não quero mais que ela me bata. Até outro dia, Danilo.

– Até Rafael.

Ele vai embora. Sai apressado, nervoso. “Mas que homem mole” penso, “no dia em que minha mulher fizer isso comigo, ponho ela pra fora de casa. Tinha que ser com o Rafael. Sempre o “franguinho” de sempre. Aposto que chorou ontem. Nenhuma mulher bateu em mim! As que tentaram se arrependeram. Dei-lhes uma tapa de um lado do rosto, e outra no lado oposto para a cabeça não ficar torta! Se um dia Júlia me desobedecer , eu dou-lhe uns bons tapas!”

Quando a partida recomeça, Júlia, minha esposa, chega em casa. Carrega uma sacola plástica. Ela vai direto para a cozinha. “Provavelmente vai fazer a janta” penso, “tenho que ir dizer o que quero”. Noto que minhas cervejas acabaram.

– Júlia, me traga mais uma cerveja – falo com autoridade –. O que você comprou?

– Uma corda – ela responde.



Larga isso menino!

03/01/2009

Por Lucas

– Fogo!

E mais um tiro é lançado.

– Preparar, apontar, fogo!

Não bastasse o primeiro, que matou centenas de civis e milhares de soldados, eles ainda lançaram mais mísseis.

Não acabou aí. E ainda não está perto de acabar. Guerras são fontes de renda. Agitam a economia

Hoje, diferentemente do que já foi dito em uma música, o senhor da guerra já gosta de crianças. Elas são uma boa mão-de-obra e atacam como adultos. Não recuam, foram manipuladas, criadas para proteger o que não pertence a elas. Entender algo desse tipo? É, eu sei que é difícil.

Todos somos manipulados de alguma forma. Vivemos em frente às televisões, aos rádios e, até mesmo, aos computadores. Tudo isso nos manipula sem que sintamos nada. Agora se imagine sendo manipulado por um governo. Ele coloca na sua cabeça que você deve defender a pátria, tem que morrer por ela, se preciso for. Para nós, que não fomos criados para esse fim, é difícil de engolir. Mas eles, que nasceram com isso na cabeça, é super simples.

Ah, que bom seria se eu acordasse e não visse mais eles, os mísseis. Mas não vai acontecer isso. Não estou sendo pessimista, é que ninguém faz nada pra eles sumirem. Acho que o petróleo vale mais. O general não se importa se eles vão morrer. Sua família está bem guardada, em uma casa confortável. Os mortos sendo renovados por outros que morrerão sem causa própria.

É, eu vou tentar salvar minha família, eles precisam fazer muito, ainda, por essa nação. E as crianças… Elas vão ficar bem. Descansem em paz.


Planta não. Carne sim.

01/01/2009

Por Felipe

– Que tal almoçar uma salada?

Sofia é uma grande amiga minha. Há uns meses que se tornou vegetariana. O único hábito saudável que tem. Bebe todos os dias, não faz exercícios físicos e fuma muito. Como diria minha mãe: “fuma como uma caipora”.

– Eu tava pensando em ir a uma churrascaria…

– Ora, Marcos, você vai mesmo comer um animal?

– Não, só uma parte dele. De preferência a coxa.

– Você entendeu o que eu disse?

– Claro Sofia. Apenas não vou comer uma planta.

– Comer um filé, é o mesmo que comer um cadáver.

– Nada como um defunto mal passado…

– Oh! Como você é insensível!

– Só estou faminto. Que tal comermos um frango? A gente pode comer os filhos dele também.

– Pare com isso, Marcos! Perdi a fome. Vá almoçar só.

Foi um almoço mórbido. Apenas eu e um defunto na mesa. Até que ele era uma boa companhia. Se todo morto fosse como o meu “camarada”, eu almoçaria em um cemitério.


Ah, aquela ponte…

27/12/2008

Por Lucas

Eu sempre quis resolver todos os problemas do mundo. Observava tudo ao meu redor, era impossível não ver que havia muita coisa errada, mas eu ficava a me perguntar “por onde devo começar?”. Eu nunca soube, e morri sem saber.

Inicialmente eu pensei em ajudar algumas crianças carentes que, muito facilmente, encontrava na rua. Algumas trabalhando em semáforos, outras cheirando cola. Mas depois pensei comigo mesmo “eu ajudo elas… e depois? Isso não irá resolver o problema das outras”. É… eu desisti depois disso.

Passados alguns anos pensei em tirar os idosos da rua. Não era justo que eles vivessem toda uma vida e, no final, vivessem ali, sem uma cama, como eu. Em meus planos surgiu outro problema, como eu iria arrecadar fundos para criar um asilo? Eu não tinha dinheiro, vivia as custas de um trabalho mediano, nada que fosse suficiente para iniciar uma construção. Também desisti de ajudar os idosos.

Mais alguns anos se passaram, comecei a pensar em mim, deixar os problemas dos outros de lado. Em minha vida não havia muitos problemas. Até que encontrei o amor da minha vida, e aquele seria o ultimo amor. Eu tentei de todas as formas conquistar ela. Dei presentes belos, fiz os mais belos poemas que se pode fazer, mas eu não consegui.

Sabe o que era pior nisso tudo? Ela me dava esperanças, fazia com que eu acreditasse que ela iria me dar uma chance. Fui enganado até o dia em que eu a vi com outra pessoa, um outro homem. Depois disso vivi dias terríveis, eu não conseguia mais pensar direito, comecei a ter alguns pensamentos suicidas. Não foram só pensamentos, foi uma ação também.

Eu pensei em tudo, como seria, onde seria e se eu iria ou não deixar explicações. Decidi que fosse pulando de um lugar alto, assim eu comprovaria se a vida das  pessoas passa mesmo diante dos olhos, quando ela está diante da morte. Uma ponte seria perfeito. Eu não contaria a ninguém, quem iria entender esse motivo? Só quem já passou pelo mesmo para entender o que eu fiz.

Era um dia que, possivelmente, seria ensolarado. O mundo acabaria naquele momento, pelo menos o meu. Me joguei sem pensar duas vezes. E na minha cabeça não passou filme nenhum. Morri. Mais uma vez desisti de alguma coisa. Desisti da minha vida. Não é de se espantar, sempre foi assim minha vida toda.