Seria mais fácil fazer como todo mundo faz.

15/02/2009

Por Lucas

Como seria se fosse fácil?

Se você conseguisse fazer tudo que pensasse? Será que ainda haveria prazer no que se pensava em fazer? Se você tivesse atingido todos os seus objetivos?

Como em um conto de fadas, “eu desejo…” e, pronto, estivesse ali na sua frente. Ah, uma viagem em um cruzeiro, ir à Disney, chegar à Inglaterra e ver o Big Bang, uma mansão, conseguir manter tudo com facilidade, sem precisar trabalhar muito. Depois, uma casinha perto do mar, alguém perfeito pra se viver do lado, e pronto. Tudo acabado. Você alcansou tudo que queria.

Aquele sentimento de derrota, depois de uma prova frustrada, depois de não obter a vitória no vestibular, parece ser mais útil que o doce sabor da vitória, que passa rápido e fica no tempo.

As derrotas valem mais, para a transformação do homem. As vitórias são fruto de muita derrota. Quando se vence, fica aquele vazio, um sentimento de ” e agora?”. Quando se perde, fica a vontade de vencer, aquela que os gênios tiveram depois de muita falha.

E se Timothy John Berners-Lee ( criador da web ) tivesse desistido?

E se o maior criador de todos tivesse desistido?

Eu vivo, ele não desistiu.


Apenas uma formiga.

27/01/2009

Por Lucas

Em minha perna, vejo uma pequena formiga tentando subir. É clara a dificudade que ela tem em praticar esse ato.

A dificudade é bem maior quando se é pequenininho. Não apenas para essa formiga, ou um inseto. Para todos, para aqueles que desistem de seus sonhos. Que aceitam a vida que levam, mesmo sendo quase impossível viver ela. Para todos os outros que desistem de algum objetivo por acreditarem que não irão  alcançar nunca. Para quem, antes mesmo do fim da guerra, entrega a batalha e se mata.

Ah, mas era apenas uma formiga. Com o homem  é diferente, ele pensa, ele raciocina. Ele não iria fazer algo sem objetivo, assim como era a subida da formiga.

As formigas são inúteis. Não pensam e, nem mesmo, teriam um motivo para está subindo na minha perna. Elas não são significantes.Elas não desenvolvem novas vacinas, não criam naves espaciais, não exploram o espaço, não criam armas, não fazem guerras, não arriscam a vida do Planeta. São simples formigas.

Mas será que que a evolução é, sempre, boa? O homem evoluiu, não foi mesmo? As formigas bem mais espertas, não destroem, arriscam suas vidas com objetivos bem mais plausíveis.

São apenas formigas, eu matei ela (não tenho certeza disso). Não tem valor, tem? Não pensei duas vezes em acertar a mão nela e derrubar a mesma de minha perna. Quem pensa duas vezes antes de matar uma formiga? Não vão ao céu, muito menos ao inferno. O homem pensa, raciocina. Encontrou o céu e o inferno. Já as formigas, não.


Sobre…

21/01/2009

Por Lucas

O que irá agradar?

Que eu escreva sobre a morte?

Ou sobre a vida?

Sobre política?

Ou sobre futebol?

Sobre doenças epidêmicas?

Ou sobre a medicina?

Sobre grandes desabamentos?

Ou sobre as melhores praias?

Sobre guerra de tomates?

Ou sobre a fome na África?

Sobre a paz que Deus nos pediu?

Ou sobre as guerras santas?

Sobre o amor?

Ou sobre o ódio?

Sobre as mais belas cidades?

Ou sobre as favelas?

Sobre o mais complexo?

Ou sobre o mais simples?

Sobre a ciência?

Ou sobre a religião?

Ou talvez uma folha em branco seria a resposta para todas essas perguntas. Um tempo para que possa refletir. O silêncio… Silêncio.


Ah, aquela ponte…

27/12/2008

Por Lucas

Eu sempre quis resolver todos os problemas do mundo. Observava tudo ao meu redor, era impossível não ver que havia muita coisa errada, mas eu ficava a me perguntar “por onde devo começar?”. Eu nunca soube, e morri sem saber.

Inicialmente eu pensei em ajudar algumas crianças carentes que, muito facilmente, encontrava na rua. Algumas trabalhando em semáforos, outras cheirando cola. Mas depois pensei comigo mesmo “eu ajudo elas… e depois? Isso não irá resolver o problema das outras”. É… eu desisti depois disso.

Passados alguns anos pensei em tirar os idosos da rua. Não era justo que eles vivessem toda uma vida e, no final, vivessem ali, sem uma cama, como eu. Em meus planos surgiu outro problema, como eu iria arrecadar fundos para criar um asilo? Eu não tinha dinheiro, vivia as custas de um trabalho mediano, nada que fosse suficiente para iniciar uma construção. Também desisti de ajudar os idosos.

Mais alguns anos se passaram, comecei a pensar em mim, deixar os problemas dos outros de lado. Em minha vida não havia muitos problemas. Até que encontrei o amor da minha vida, e aquele seria o ultimo amor. Eu tentei de todas as formas conquistar ela. Dei presentes belos, fiz os mais belos poemas que se pode fazer, mas eu não consegui.

Sabe o que era pior nisso tudo? Ela me dava esperanças, fazia com que eu acreditasse que ela iria me dar uma chance. Fui enganado até o dia em que eu a vi com outra pessoa, um outro homem. Depois disso vivi dias terríveis, eu não conseguia mais pensar direito, comecei a ter alguns pensamentos suicidas. Não foram só pensamentos, foi uma ação também.

Eu pensei em tudo, como seria, onde seria e se eu iria ou não deixar explicações. Decidi que fosse pulando de um lugar alto, assim eu comprovaria se a vida das  pessoas passa mesmo diante dos olhos, quando ela está diante da morte. Uma ponte seria perfeito. Eu não contaria a ninguém, quem iria entender esse motivo? Só quem já passou pelo mesmo para entender o que eu fiz.

Era um dia que, possivelmente, seria ensolarado. O mundo acabaria naquele momento, pelo menos o meu. Me joguei sem pensar duas vezes. E na minha cabeça não passou filme nenhum. Morri. Mais uma vez desisti de alguma coisa. Desisti da minha vida. Não é de se espantar, sempre foi assim minha vida toda.